sábado, 26 de março de 2011

O QUE SENTI NESTE CARNAVAL

Acordo tarde, com ressaca de uma noite sem dormir.
Ligo a televisão enquanto preparo meu café.
Uma notícia me faz esquecer o que faço e voltar meus sentidos para o que ouço e me entristeço.
No Haiti e com certeza, em muitos outros lugares, onde a pobreza já fez morada definitiva, vi que adultos não sonham!
Nem crianças brincam, nem se alimentam, estudam.
Não existe nenhuma higiene, água é coisa rara até para beber.
Na “Cozinha do Inferno”, reviram procurando alimento. É o que sobrou do lixo que alimentará pessoas. E comem junto aos porcos, comidas apodrecidas, ou biscoitos feitos de barro e secados ao sol.
Bebem água de poças imundas, no meio da rua, junto a fezes de animais.
Pessoas quando não mais agüentam a fome, a doença, assentam ou se deitam em qualquer lugar, esperando a morte, não socorro.
Crianças muito novas correm kms para ganhar uma fruta ou água limpa que são enviadas por algum pais, como o Brasil. Vi soldados, repórteres se emocionarem vendo órfãos sem alimentos, sem ter como matar a sede, sem o que dá dignidade, brincando e sorrindo.
Então eu me pergunto:- Que fazem estes pobres condenados ao sofrimento aqui na terra? Serão anjos que vieram para nos ensinar a dividir, mostrando o ser humano na sua mais terrível condição e nos conscientizar das nossas futilidades e fraquezas?
Meu Deus, hoje é domingo de carnaval e o que vi foi um desfile de desilusão, desamparo, abandono, num carro alegórico, onde não existia fantasia, mas um terror chamado “Realidade de um País Pobre”.
Depois de um terremoto...

Rosa Negra- Rosabgontijo-06/03/2011